quinta-feira, 21 de outubro de 2010

"Só"

É, acho que menti, acho que me enganei, acho que não sou quem eu queria, acho que a vida é mais do que eu desejava saber, acho que as coisas não funcionam bem, acho que o tempo merece trégua, acho que tudo deve ser fora do lugar, acho que pessoas não são como são, acho que quando eu precisar estarei sozinha, não por não existirem pessoas, mas por não existir solução para a agonia de não querer ninguém por perto...

...

Crescer... não parece tão difícil, basta entender que as coisas mudam, que o mundo não gira em torno de si e que o tempo leva o que se ama e o que se odeia, independentemente de se querer ou não, e pronto, num instante de tempo já não há mais inocencia...

"Gosto e desgosto"

Engraçado... Como as pessoas gostam e desgostam com tanta facilidade. As relações mudam num tempo tão inusitado! O ser humano é assim, não sabe bem o que quer, o que sente, deixa-se mover pelas angustias e pelos medos e acaba trocando o porto seguro pelo imaginado... Aí o tempo passa e a saudade vem... o outro, ou mesmo o eu, se assumem como errantes e ainda assim nada muda, o destruido continua em reuinas e, ainda assim, não se aprende... Passa os dias e mais uma vez tudo se acaba, tudo muda, e nada é como antes, além da saudade.

sábado, 24 de abril de 2010

Confissões...

...É, hoje mais que nunca me sinto sozinha, mas não como qualquer pessoas num dia de crise... Sozinha, mas cercada de pessoas que me ajudam...Hoje me sinto mais vazia que nunca e sentido cada vez mais que está fora do meu alcance descobrir os motivos disso tudo...Não consigo encontrar respostas em relação a nada, e essa situação é extremamente desgastante e me sinto triste e agustiada, por não ter controle...Dizem que isso é falta de Deus e que esse vazio é por conta disso, mas já faz tempo que ando buscanado algo que preencha, e sei que não é isso, eu acredito no meu Deus, mas falta algo, maior ou menor já não sei, mas falta...
Às coisas já não fazem sentido...Estou com um certo medo de jamais me encontrar!

Educação Brasileira: minha realidade!

Ah, meu primeiro dia de aula! Fiquei ansiosa, esperei pra saber como seria. Todos me diziam que o meu estudo aqui não valia, fiz até uma prova pra entrar na 6ª série, acharam que não tinha capacidade, que era ignorante por ter morado no Paraguai, num país tão pobre.
- Comece cedo, as regras são diferente e o ensino, nem se fale!
Acordei, antes que o necessário, tomei banho, meu café foi tranquilo, e segui caminhando até a escola. Cheguei e tive um susto, mal podia acreditar no que via, que horror, a escola tinha muros!
Quando adentrei, outro susto, as paredes por dentro e por fora estavam pixadas, as salas abarrotadas de alunos, o professor mal conseguiu balbuciar algumas palavras. Tentei ouvi-lo, mas não pude, o barulho vindo de todos os cantos não me permitia, tentei concentração e de repente um tumulto; alunos saindo correndo, gritando, eufóricos com algo ali no corredor que parecia ser fabuloso, tive curiosidade, mas a coragem não me deixou ir até lá. Quando os meus ouvidos se apuraram, quis voltar pra casa, tamanha minha angustia, dois alunos brigavam, um com uma faca na mão, atingiu o rosto do companheiro, que teve que ser hospitalizado, faltando-lhe o nariz.
Que pesadelo! Naquele mesmo dia me disseram que no Brasil é mais fácil matar que ler um livro, verdade? Mas como pode? Bala é a prisão, educação é liberdade.
Passou-se o tempo, acabei por me acostumar, não que isso houvesse sido fácil. A cada dia uma nova briga, nas paredes um novo rabisco e o caderno continuava em branco. As esperanças que os professores tinham de ensinar logo se apagavam, assim como as lousas de lições que apenas eu copiava.
Faltavam professores, eles tentavam se proteger, era perigoso ensinar. Naquele ano, faltou-me geografia, ciências, inglês, e até história. Nos anos que se seguiram nada mudou, não tive física, biologia, química, inglês, história e geografia, me deram pra ler um tal de “Atualidades” que me preparava pro vestibular, mas livros de literatura e teorias, nem pude ler, a biblioteca tinha menos dois mil livros, incluso os didáticos, que já sem capa, rabiscado e faltando folhas, ocupavam as prateleiras de uma sala de menos de 3m quadrados.
Pois é, o ensino no Brasil tem sido alvo de muitas críticas, eu, desde criança, já tinha me dado conta disso, quando li a matéria publicada no jornal “O Estado de S. Paula” em 09/11/04, o Brasil tinha sido avaliado pela UNESCO como um país cujo ensino não há conteúdo. O país tinha ocupado o 72º lugar entre os 127 países participantes e o 87 º lugar na permanência dos alunos após a 4 ª série. Não tive trabalho em refletir o porquê, a ausência de professores, a ausência do interesse dos alunos, a falta de articulação entre escola e família e as condições precárias de trabalho, com certeza, eram os motivos.
O professor da rede pública, em geral, precisa dar de 50 a 60 aulas semanais para garantir proventos minimamente condignos, numa sala abarrotada de alunos que concluem o Ensino Médio inseguros, despreparados, sem a mínima condição de cursar o Ensino Superior.
No Brasil o ensino é conservador, maltratado, bancário e está “a serviço da lógica dominante” como disse uma vez o mestre Paulo Freire.
Já criaram programas como o Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental (FUNDEF) e o Bolsa Escola para ajudar na inclusão, mas infelizmente não mexem com a qualidade. A questão fundamental é saber até quando a Educação será refém das vontades de determinados governantes. Os professores precisam de autonomia e até isso lhes foi tirado.
Por isso, a população não deve calar-se e nem se conformar enquanto o capitalismo, com as duas mãos, esmaga a educação e, com a garganta, grita palavras de ordem contra o progresso.
É preciso incentivo aos professores e estudantes, para que ambos possam desenvolver suas habilidades intelectuais, e para isso é preciso um salário mais digno e melhores condições de trabalho com jornadas menores, para que possam se desenvolver e se atualizar, e aos alunos uma estrutura física melhor, materiais didáticos de qualidade, para que possam sair seguros e preparados para serem profissionais competentes, pois a educação sozinha não transforma a sociedade, e sem ela tam pouco a sociedade mudará.
E eu? Bom, um dia me disseram que os ventos às vezes erram a direção, então resolvi tentar e sou a única estudante daquela escola pública que conseguiu entrar numa Universidade.

O discurso...

Cada coisa que foi nossa, ainda quer só pelos acidentes do convívio ou a da visão, porque foi nossa se torna nós.
(Fernando Pessoa)

A vida tem nos ensinado a ter consciência mais aguda da harmonia do mundo, da beleza da contribuição das pessoas no acúmulo de nossas experiências, nas nossas deslumbrantes reviravoltas, nossas descobertas imprevisíveis, com suas poderosas influencias. Revelações que não podem ser frutos do pensamento racional.
Quando ainda muito pequenos demos início a uma jornada um tanto extensa, demos o primeiro passo rumo ao conhecimento. Desde então o apoio começou a entrar em cena, já que não tínhamos a menor idéia do propósito de tudo aquilo, não tínhamos consciência de nada. Tudo começou quando, ajudados por uma mão que dava firmeza e segurança ao lápiz, aprendemos a escrever as primeiras palavras. Desde então o contato com o mundo intelectual passou a percorrer todos os cantos de nosso ser.
A cada dia que passava íamos aprendendo mais, surgiam em nós palavras que queríamos gritar ao mundo inteiro. Tantas dúvidas, tristezas, vacilos, quanto medo! Mas nas maiores desventuras ou mesmo nas profundezas mais degradantes de nossa existência houve pessoas que não nos abandonaram, que não desistiram de nós, que não permitiram que saíssemos do percurso, ainda que faltasse um longo tempo de caminhada.
Quando já jovens e mais experientes passamos a ter certeza e a perceber que faltava pouco para que essa primeira fase terminasse, sabíamos que nossas bases já estavam para se firmar. Mas estávamos tão adaptados a essa rotina que não nos demos conta do quão rápido passaria. Achávamos que era tudo por demais repleto de magia para ser totalmente esgotado.
Hoje, estamos nos formando, deixando para trás longos anos de lutas, através das quais gradativamente pudemos ver e conhecer o mundo, embora por uma estreita fresta.
Encerrou-se o ano letivo, porém a sensação já não é a mesma. Sabemos que o próximo ano é indescritível, pois já não estaremos aqui.
E é chegado o momento de agradecer a todos vocês: pais, professores e amigos que estiveram ao nosso lado durante todo o percurso. Que nos ajudaram a subir, não dois ou três degraus provisórios, mas centenas de inflexíveis, da escuridão e do frio do qual sobrevivemos e fomos mais fortes que muitos outros que pereceram. Que fizeram com que todos esses anos valessem à pena. Que acompanharam as transformações dos nossos sonhos e que serão responsáveis pela realização de muitos deles. Que partilharam de suas experiências conosco, nos dando a oportunidade de fazer parte de suas vidas. Que nos ensinaram a puxar em nossa direção tudo o que estava às margens.
E dentre tudo o que passou fica apenas o compromisso de moldar a realidade de acordo com nossas convicções, nossos ideais, nossa vivência, na expectativa de um futuro promissor porque somos juventude que mantém os pés no chão, mas que sonha alto para o futuro.

O meu "perfil"

Odeio pentear o cabelo, usar maquiagem e ir pra baladas. Sou muito enjoada pra comer legumes. Gosto de andar descalço no chão gelado. De ouvir mpb deitada na cama enquanto leio livros de literatura. Gosto de brincar na comendador e declamar poemas de Vinícius e Drummond. E gritar quando o mundo me irrita. Odeio quando me pedem opiniões sobre roupa, sapato ou cabelo, digo o que acho quando tenho vontade. Gosto de observar pessoas caminhando, me perco vendo como são diferentes. Gosto de ouví-las também. Gosto de pessoas sinceras, mas aquelas tão sinceras a ponto de olhar nos meus olhos e dizer: como estás insuportável hoje!. Fico chata quando com fome ou sono. Odeio que me repitam o que tenho de fazer. Só digo que amo alguém quando tenho plena certeza disso. Gosto de aprender errando, me parece a melhor forma. Sei amar, mas o processo de odiar é bem mais rápido. Não perdôo traições, de nenhuma forma. Quando decepcionada me reanimar é tarefa muito difícil. Gosto de andar largada, calça jeans e chinelo no pé. Odeio matemática, física e química. Gosto de olhar as estrelas, moldar nuvens, falar com a lua, há dias em que apenas isso me basta. Nunca entendo porque faço as coisas, quando vejo já as fiz e dificilmente me arrependo. Odeio ser estepe para qualquer pessoa e em qualquer tipo de relacionamento. Não gosto de brigas, mas me irrite e verás até onde chega minha paciência. Não queira jamais me ver nervosa, é melhor, eu garanto. Fico sempre com um pedacinho de uma música na cabeça e canto-o o dia todo. Fico enrolando uma mecha do meu cabelo enquanto penso nas filosofias da vida. Gosto de dormir de bruços e sem travesseiro. Odeio não ter razão. Odeio quando me interrompem, quando não me deixam falar ou quando repetem 30 vezes o que já sei. Acho a morte um mistério incrível, mas confesso que tenho medo que ela me pegue desprevenida e deixe saudades daqueles que mais amo. Gosto de dias chuvosos e quando me ensopo num deles. Sou uma negação na cozinha, a única coisa que faço bem é ferver leite, e isso quando não esqueço que ele está no fogo. Nunca consegui manter uma pipa no ar. Às vezes acho que sou um coringa e que, não fazendo parte efetivamente do baralho, minha ausência não seria sentida, já que não pertenço a nenhum monte. Tenho medo de perder o controle das situações embaraçosas. Meus costumes e tradições são herdados de outro país. Há dias em que tudo me parece muito pouco. Odeio assistir tv, a menos que seja um bom filme ou documentário. Tenho pavor de aranhas, de qualquer uma delas. Minha fé é em algo imensamente poderoso que diz respeito a tudo o que acontece, mas não o responsabilizo por minhas falhas. Acho o máximo comer leite em pó só porque fica no céu da boca. Não gosto de dar o braço a torcer. Tenho nojo de camarão, por isso não o como, apesar de apreciar seu sabor. Gosto muito de chocolate, principalmente o branco. Não tomo cerveja nem sob tortura. Me sinto sozinha mesmo rodeada de pessoas. Fico olhando para o nada sem fazer coisa alguma. Odeio que peguem no meu pé, gosto de me sentir livre.
Se o mundo fosse acabar amanhã eu diria para certas pessoas o quanto elas são chatas e, se por ventura, não acabasse diria que era só brincadeirinha.
Não descobri quem eu sou, mas consigo elencar as coisas das quais gosto ou não.
Pra resumir: inconstância!
À medida que o tempo passa meu mundo se inverte, as pessoas desaparecem, o medo vai e vem e os sonhos se modificam.